Revisitando Hoenn: Melhor do que eu lembrava


Introdução

Em 21 de novembro de 2002 foi lançado no Japão os jogos Pokémon Ruby & Sapphire para o console portátil Game Boy Advance, marcando a estréia do que chamamos de terceira geração dos monstrinhos de bolso. O jogo conta com 135 novos Pokémon e se passa da região de Hoenn, inspirada na ilha japonesa de Kyushu. O jogo não tem conexão direta aos eventos dos jogos de Kanto ou Johto, tendo sua própria história. Além disso, também não há conectividade com os jogos de Game Boy, sendo impossível passar os monstrinhos de jogos anteriores para esses.


Por estar no Game Boy Advance, o jogo conta com um avanço gráfico e maior paleta de cores, porém, o jogo não possui sistema de dia e noite presente nos jogos da geração anterior; ele até possui um relógio interno para pequenas funções, como o tempo necessário para uma berry crescer, mas as mudanças visíveis dos períodos do dia passando não estão mais aqui.

Porém, o jogo consta com outras mudanças significativas para a franquia, principalmente para a construção do cenário competitivo. 


As novidades incluem:

  • Novas pokébolas: Premier Ball, Repeat Ball, Timer Ball, Nest Ball, Net Ball, Dive Ball e Luxury Ball. Porém, as pokébolas feitas de apricorn, marcante

  • s nos jogos da segunda geração, não estão presentes aqui.

  • Um sistema de box reformulado, de fácil manuseio.

  • Diferentes climas agora estão presentes no mapa, e não só em batalhas: Algumas áreas estarão chuvosas, outras terão tempestade de areia, e há a introdução de um novo clima: Granizo (Hail).

  • A introdução do sistema de Habilidades (Ability), individuais para cada pokémon, mudando até hoje as estratégias nas batalhas pokémon.

  • Naturezas (Natures), personalidades para os pokémon que podem aumentar e/ou diminuir certos stats, outra novidade que muda o cenário de batalhas pokémon até hoje.

  • Refinamento do sistema de IVs e EVs, sistema usado na maioria dos jogos da série principal até nos jogos mais recentes, como Legends ZA.

  • A introdução os Pokémon Contests, um modo de jogo secundário que difere das batalhas pokémon- uma competição de apresentações pokémon.

  • Refinamento no sistema de Berries. Diferente da segunda geração, onde temos apenas 10 tipos de berries, agora temos 43 novas berries com diversas funcionalidades. Há também um sistema onde você pode plantar, regar e colher novas berries.

  • Adição de Batalhas duplas, onde 2 pokémon enfrenta outros dois pokémon ao mesmo tempo; modelo de batalha usado até hoje em competições oficiais de Pokémon.

  • Sistema de fitas (ribbons), um item especial que é dado aos pokémon por diversos motivos, como por exemplo vencer uma liga ou um contest. É como um sistema de conquista de um determinado Pokémon. 

  • Novo item, Pokénav, que mostra o mapa do jogo, fitas e treinadores que você encontrou na jornada, podendo até usar para encontrar treinadores que querem uma revanche.

  • Dois tipos de bicicleta: a Mach Bike,que é mais rápida, e a Acro bike, não tão rápida, mas que permite o jogador fazer acrobacias.

  • Sistema de bases secretas, locais específicos no mapa onde você decorar com mobílias e pelúcias


Em 16 de Setembro de 2004, é lançado no Japão o jogo Pokémon Emerald, a terceira versão melhorada de Ruby e Sapphire. Em comparação  aos jogos originais, as mudanças destaque incluem:

  • Agora os pokémon possuem animações quando você entra em batalha, bem como quando você vê seus stats, assim como era em Pokémon Crystal. A diferença agora é que os sprites dos pokémon de costas também estão animados.

  • Batalhas em duplas com NPCs estão bem mais abundantes.

  • Líderes de ginásio com times atualizados e a possibilidade de ter revanche com eles, com novos times e níveis aumentados.

  • Adaptações na história, focando no trio de lendários (Kyogre, Groudon e Rayquaza) ao invés de só um.

  • A introdução da Batalha da Fronteira, uma área de batalhas derivadas da Battle Tower, com diversos modos novos.

  • Pokenav agora usa um sistema de ligação similar ao Pokégear de Johto.



Já em 21 de Novembro de 2014, é lançado mundialmente para o portátil Nintendo 3DS os jogos Pokémon Omega Ruby & Alpha Sapphire, remakes dos jogos Pokémon Ruby & Sapphire. O jogo agora possui gráficos atualizados e utiliza os moldes (tanto estético quando de mecânicas de gameplay) da sexta geração, marcadas pelo jogos Pokémon X & Y, Incluindo a mecânica introduzida nessa geração, a Mega Evolução. Algumas novidades exclusivas do remake incluem:


  • Adição de novos personagens como Zinnia, Lisia e Aarune.

  • Mudanças e adições de diálogos para melhorar a história.

  • Adição do Delta Episode, um capítulo extra da história, focada no lendário Rayquaza

  • Novas Mega Evoluções, e um novo tipo de transformação,a Reversão Primitiva ( Primal Reversion), exclusivas dos lendários da capa, Groudon e Kyogre.

  • Pokénav agora é Pokénav Plus, com muito mais funções, como a Dex Nav, que permite observar quantos pokémon o treinador encontrou em determinada área, bem como usar isso para encontrar mais pokémon dessa mesma espécie, podendo usar para fazer shiny hunt ou encontrar pokémon com habilidades e golpes de dificil acesso;

  • Também é na Pokenav Plus que está presente as funções antes presentes do XY, como o Pokémon Amie, Super Training e o PSS (o multiplayer do jogo).



Relembrando os jogos 


Ruby, Sapphire e Emerald


Minha relação com Hoenn é…. estranha. Não é bem uma região que eu amo, mas também não a odeio, mas também não tenho total apatia por ela. É o tipo de região que num top 10, ela ficaria em quinto ou sexto, talvez. Mas ao mesmo tempo, eu tenho certa nostalgia por ela. 


Eu tenho essa ideia de que a época em que eu joguei a primeira vez a geração define muito minha impressão dela, então eu ficava pensando em motivos pelo qual eu tenha nostalgia por essa geração, mas eu não ter o mesmo apego quanto tenho da segunda ou da quarta geração. Um das minhas teorias é que eu gostava MUITO dos jogos de GBA, então eu joguei vários. Talvez na época minha cabeça estava focada em outras franquias de jogos, como Harvest Moon: Friends of Mineral Town, ou jogos de Kirby, ou até, pasmem, jogos de Hamtaro. Mesmo fora de GBA, eu jogava outros jogos como The Sims, que eu era viciada. Outra teoria é que eu quase sempre joguei esses jogos de pokémon com o acelerador presente em quase todo emulador de GBA, e que talvez isso tivesse estragado um pouco minha visão dessa geração. Mas foi escrevendo esse texto que percebi que eu tenho sim nostalgia por essa geração, talvez ela só tenha adormecido com o tempo, ou acabei me apegando mais às outras mesmo, ofuscando um pouco o brilho que essa geração tem. Jogo bom demais.


Eu amo GBA, melhor console que eu não tive

Quando eu resolvi fazer essa maratona de rejogar todas as gerações, já estava certo que eu só iria jogar os remakes de Hoenn, mais especificamente o Alpha Sapphire, já que não tenho acesso fácil a um computador hoje em dia e eu odeio jogar em emulador de celular. Mas por uma grande coincidência do destino, foi visitando uma loja de TCG local que vi a venda cartuchos de jogos de pokemon para o GBA. Apesar de não serem originais, Eu decidi comprar um, porque eu nunca tive um GBA, então não tive muitas oportunidades de jogar esses jogos num console, sem ser em emuladores de celular ou PC. Por isso, comprei a versão Sapphire (Eu queria ter pego Emerald, mas eles não tinham). E foi nessa jogatina que tive várias lembranças nostálgicas desse jogo.


Primeiramente, eu lembrei muito do anime. Lembro de ver muito (apesar de não lembro de muitos episódios) ele no cartoon, tarde da noite. Lembrei do quanto eu gosto muito desse primeiro design da May, talvez até mais que a do remake. Gostava de ver a jornada dela nos concursos pokémon (contests), do time dela e também dos rivais dela.


O time da May, uma mistureba interessante: 3 Pokémon de Hoenn (Ruby/ Sapphire), 3 de Kanto (por conta de FireRed/Leaf Green) e já preparava para a quarta geração com Munchlax (e a evolução do Eevee) 

Outra lembrança bem marcante pra mim do anime da terceira geração foi o filme do Jirachi. Talvez tenha sido o primeiro filme que vi baixando na internet, nem estava dublado ou legendado, mas vi mesmo assim porque eu queria MUITO ver. Jirachi é um dos meus míticos favoritos até hoje. Lembro o quanto esse filme me marcou, tanto pela Jirachi, quanto pelo pokémon “vilão”, o Groudon, mas especificamente o “Meta Groudon”, um Groudon criado artificialmente, corrompido e tinha vários tentáculos gelatinosos que consumia tudo e todos que via.


Meta Groudon, com tentáculos que eu achava bastante assustador quando criança


Continuando com o tema do filme, outra nostalgia marcante foi justamente o tema de encerramento do Filme, “Chiisaki Mono” (tradução literal: “Uma coisa pequena), que é até hoje uma das minhas músicas favoritas do anime. Não só a música, como a animação do encerramento também me marcou muito: as partes onde os personagens olham para um céu estrelado, e aparecem a versão do mundo pokémon de várias constelações conhecidas, como por exemplo as Ursas Maior/Menor, Cisne, Virgem e Escorpião.



Voltando ao mundo dos jogos, uma nostalgia que me pegou forte foi justamente os gráficos de GBA. Como disse, eu joguei muitos jogos de GBA, e rejogar Sapphire me trouxe de volta a esse época. Confesso que nisso eu quis pegar pra jogar outros jogos de GBA que jogava muito na época, como o Kirby and the Amazing Mirror e o Zelda Minish Cap (ambos presentes no Nintendo Switch Online), e estou cogitando procurar online onde posso comprar um cartucho do meu favorito, Harvest Moon: More Friends of Mineral Town.


Mas agora falta falar do principal: o próprio jogo que eu joguei, o Pokémon Sapphire. Foi uma experiência extremamente agradável. Para começar, eu acho os gráficos extremamente charmosos (Mas confesso que hoje eu até tenho medo de elogiar gráficos de Pokémon hoje em dia). Aliás, eu achei os sprites mais bonitos do que eu lembrava? Talvez seja porque é a primeira vez que eu jogo eles na resolução que eles foram feitos para serem jogados originalmente. 


Considerando do que saímos na época do GBC, os gráficos de GBA impressionam. Sprites com mais cores e efeitos de reflexo e sombras na água.


Foi rejogando e comparando com o que a gente teve nos jogos anteriores que eu percebo mudanças que hoje em dia parecem o básico, mas para esse jogo eram novidades. Meu exemplo vai ser a mudança de biomas na região. Há desertos, com tempestades de areia e as marcas de pegada por onde você pisa, há áreas vulcânicas, uma rota inteira coberta com fuligem daquele vulcão, várias áreas praianas, entre outros. 

Isso sem falar nas cidades, cada um com sua característica única. Fortree é uma cidade onde as pessoas construíram casas em cima das árvores, já Pacifidlog é uma cidadezinha flutuante, construída em cima de várias toras de madeira e jangadas por cima de colônias de Corsolas. Sootopolis, a cidade do último ginásio, foi construído dentro de uma cratera e só pode ser acessada pelo ar ou mergulhando debaixo d’água. E para cada cidade, as casas possuem sua própria arquitetura. Foi só nessa jogatina que eu percebi que até as árvores mudam: Apesar de muitas serem o mesmo sprite, em certos lugares você pode ver diferentes espécies, em destaque para Fallarbor, Mossdeep e Dewford.

Diferentes lugares de Hoenn com árvores diferentes.

Não posso esquecer também de mencionar um dos novos HMs do jogo, Dive, que permite o jogador acessar todo um mapa novo, debaixo d’água. As áreas debaixo d’água não são muitas, mas acho a idéia muito legal. Não é sempre que Pokémon explora o fundo do mar, apesar de os Pokémon do tipo água serem um dos mais abundantes da franquia. Quem sabe em Ventos e Ondas finalmente teremos mais disso? Só me resta sonhar.


Revisitei também as bases secretas, áreas especificas no jogo onde você pode decorar. E eu lembro de amar muito ficar brincando de decorar minha “casinha” quando era criança. Fiz questão de fazer minha base no mesmo lugar que eu fiz na época, que é passando na caverna perto de Verdantuff, que virou meu lugar favorito, porque nos remakes eu também fiz minha base lá. 


Exemplo de base secreta decorada

Já uma parte que eu queria ter feito mais, mas não consegui foi os Contests. Acontece que eu não sei se é coisa do cartucho não ter relógio interno, ou é um bug do jogo (porque foi só há pouco tempo que descobri que ele existe), mas não dá pra plantar berries no meu jogo. E elas são importantes para poder subir os “stats de contest” (condition) e poder ganhar em ranks mais altos. No caso, eu só fiz o rank mais baixo. Eu tenho muita nostalgia dos contests por conta do anime e porque joguei muito mais eles na quarta geração, e eu realmente gosta da idéia. É todo um sistema novo de estratégias diferente das batalhas pokémon, com cada golpe tendo efeitos diferentes aqui e até combos; além disso e cada pokémon vai ter mais afinidade com as diferentes “categorias” de contest, mais por causa dos golpes que aprende do que seus stats de batalha. Aqui, um pokémon não muito bom para batalhas (como um Luvdisc) podem acabar brilhando.


Pokémon Contests nos jogos

Agora, hora de falar de história e personagens. Quando se fala de história e Pokémon, eu vivi uma boa parte da minha vida ouvindo “ninguém joga Pokémon pela história”. E pra mim era verdade até sei lá, meus 15 anos. Mas fazer essa maratona de rejogar todas as gerações e escrever sobre me fez ter interesse na evolução que as histórias tiveram. Claro, a história de Pokémon nesses jogos mais antigos é muito simples se comparar com qualquer JRPG já lançado, mas acho legal que tem alguma coisa sendo contada.


Hoenn é a primeira região onde a história está diretamente ligada ao lendário da capa, padrão esse que vai se repetir por basicamente todos os jogos até hoje. A história de Lugia e Ho-oh não está ligada a equipe Rocket, e a história de Suicune parece mais uma sidequest. Já aqui, temos duas equipes vilãs, a equipe Magma e Equipe Aqua uma para cada versão, onde cada uma quer reviver um lendário diferente para propostas diferentes, mas que por erro de cálculo, ambas resultam na mesma situação: O Apocalipse. Em cada versão, enquanto uma equipe quer acordar o lendário, a equipe da versão oposta serve como “voz da razão”. O que torna as coisas interessantes é na versão de Emerald, que junta tudo numa coisa só. As duas equipes estão simultaneamente tentando acordar seus respectivos lendários, então você tem que impedir as duas ao mesmo tempo. Nisso, você precisará do terceiro lendário, Rayquaza, para acalmar os dois lendários, que estão brigando.

As primeiras cutscenes a gente nunca esquece

Quanto aos personagens, sinto que agora não tenho muito o que falar (vou ter mais nos remakes), mas achei legal a idéia de que um dos líderes é seu pai (e é muito raro em Pokémon os protagonistas terem um pai presente),e que no sétimo ginásio são líderes gêmeos, para reforçara nova mecânica de batalhas duplas. 


Uma coisa que eu gosto de ver em jogos de Pokémon são os personagens usando os pokémon na nova geração nas suas primeiras batalhas, sendo uma forma de apresentar os novos monstrinhos sem precisar depender só de andar no mato. Então minha crítica vai especificamente pro Wattson de Ruby/Sapphire, que não usa um único pokémon da terceira geração, só de Kanto. 


Mas aí chega Pokémon Emerald e faz tudo o que eu gosto em questão de personagens e seus times. Os times dos líderes acrescenta mais pokémon ( era comum no Ruby/Sapphire os personagens só repetirem o mesmo pokémon, como a Flannery usando 2 Slugmas ou Norman com 2 Slakings) e explora mais os novos monstrinhos (agora Flannery e Norman usam 4 pokémon diferentes, mesmo que alguns sejam da mesma linha evolutiva). Mas aqui a cereja do bolo: O jogo tem rematches. E eu AMO rematches! Mais precisamente, rematches que adicionam um time completo pros personagens (isso vai ser importante daqui uns 3 ou 4 “revisitandos”). Eu gosto de imaginar como seriam o times dos personagens se eles tivessem um time completo. Uma pena que a elite 4 e o campeão não tiveram o mesmo tratamento, mas um dia eles terão seu momento de glória


Mas, para finalizar os personagens, eu queria falar sobre Brendan e May, os protagonistas. Quando você escolhe um, o outro acaba virando uma espécie de “rival” para você, além de guia, de certa forma. Acontece que eu sempre joguei de May, então não sei exatamente como ela é como rival. Mas eu confesso que quando mais nova eu também não prestava atenção no que o Brendan falava também, e eu acabei prestando mais atenção aqui…. E eu acho que o Brendan de certa forma é um tipo de “rival babaca”, não nível Silver ou Blue, mas eu realmente tive vontades de socar ele. Por mais que ele te ajude na jornada, principalmente por ser filho do professor da região, eu sinto que alguns dos diálogos dele nos menosprezam um pouco, mas talvez seja só minha impressão por causa de UM diálogo em específico, dele falando “Diferente de você, seu pai parece bem forte”


Eu já mencionei o quanto eu gosto dos designs dos protagonistas?


Por fim, não posso esquecer de mencionar a trilha sonora do jogo. Eu definitivamente amo a trilha sonora de Hoenn, eu sinto que quase todas, senão todas, são tão marcantes. Meu destaque seria a de Verdantuff, uma trilha que me marcou desde criança. Quanto às batalhas, minhas favoritas seriam da Elite 4 e dos chefes das equipes vilãs, Archie e Maxie.



Finalizando esses jogos, apesar de eu ter dito não haver um favoritismo nessa região, eu senti que revisitar os originais me deu uma sensação de querer jogar mais. De eu já querer reiniciar meu cartucho e tentar jogar do novo com um time diferente. (Só não sei se é só um “hype nostálgico”,isso faz sentido, ou é também porque comecei a acompanhar um streamer que ama Pokémon Emerald e vive jogando nuzlocke em hackroms da terceira geração)


ORAS


Hora de falar dos remakes. Talvez esse remake é um bom exemplo de “minha opinião com os jogos de Pokémon nem sempre se baseia se o jogo é tecnicamente bom ou não, mas sim o apego sentimental que eu tive com ele na época que joguei da primeira vez”. Acontece que Omega Ruby e Alpha Sapphire (ORAS, pra encurtar) saíram na sexta geração, e eu tenho sentimentos… conturbados dessa época. Época essa que eu estava fazendo faculdade, e que o competitivo estava em alta (pela maior facilidade de se conectar com os outros e melhores mecânicas para ter o “Pokémon perfeito”).  Nisso, minha memória da sexta geração é basicamente eu passando horas fazendo breeding para ter diversos pokémon “perfeitos”. Acontece que eu não jogava TANTO competitivo assim, e eu tampouco entendo tanto de construir times, então eu não usei tanto assim esses Pokémon. Eu não si se na época, passar tanto tempo fazendo esses pokémon enquanto estava no ônibus tarde da noite voltando pra casa me dava uma satisfação pessoal, algum tipo de dopamina, mas é algo que hoje em dia eu não lembro dessa época com muito carinho. 


Mas vamos falar de coisa boa, porque não é porque eu não tenho boas lembranças que o jogo é horrível. Ter jogado tanto a versão original quanto o remake me fez ver bem a evolução dos jogos. Para começar com a ambientação da região da região ,eu gostei como ela foi traduzida para o 3D. Eu gosto de pensar que a idéia de Hoenn é muito sobre meio ambiente e o ecossistema local, então eu gosto muito como você as vezes pode encontrar alguns pokémon, especialmente Wingulls, voando por aí pelo mapa. Não é como os jogos atuais, onde você pode encontrar todos os pokémon andando por aí fora do mato, mas acho isso um começo.


Para mim, Hoenn sem Wingull não é Hoenn


Mas acho que as mudanças estéticas mais significativas são os ambientes interiores, como os ginásios e as bases secretas das equipes vilãs. Cada ginásio era uma surpresa diferente, alguns mudando até os puzzles. Meu favorito foi o de Lavaridge, reforçando a temática de águas termais (que a cidade também possui), com a sala da líder com árvores de folhas vermelhas, dando bastante charme; outro que gosto muito é o de Fortree, a cidade que fica em cima das árvores, e o ginásio apesar de ter a mesma puzzle do original, agora as estruturas são todas feitas de madeira.


Ginásio de Fortree


Um pequeno detalhe sobre o mapa que eu acho bem fofo, é que na tela de baixo, uma das novas funções é o Dex Nav, que te ajuda a encontrar e capturar Pokémon mais “fortes” (eles podem possuir golpes diferentes e Hidden Ability); mas o detalhe que quero destacar é que a cada parte do mapa que você vai, a imagem que vai aparecer no DexNav vai ser a versão de GBA do local.


Quanto à dificuldade do jogo, a sexta geração sempre foi conhecida pela sua extrema facilidade. Muito disso se dá conta com a atualização do item Exp. Share, que voltou a ter a mesma função dos jogos da primeira geração, mas agora dava muito mais experiência ao resto do time, facilitando MUITO treinar os pokémon e tirando a necessidade do grinding. Eu acreditava que a facilidade vinha só disso, então nessa última gameplay eu desliguei o Exp. Share para ter um pouco de desafio. Mesmo com ele desligado, meus pokémon acabavam ficando com os níveis mais ou menos na média ou às vezes um pouco acima, por conta da mecânica de Pokémon Amie, introduzida na sexta geração. Mas o que me incomodou um pouco é que as vezes a IA parecia me favorecer; um exemplo é o Norman, que sempre tive como um líder desafiador, mas que aqui fica spammando Encore, e isso na verdade não é um movimente que atrapalha tanto quanto eles acham que atrapalham. Claro, pode ter sido só um caso à parte, talvez para alguém o Norman continue sendo um desafio mesmo no remake.


Como minha jogatina foi um monotype (grama), eu ainda tive dificuldade relacionada a desvantagens de tipo, como por exemplo com a Winona, e o Crobat do Archie sempre, SEMPRE era um grande problema. Mas como eu estava com o Exp. Share desligado, pra mim eu consegui um pouco do desafio que eu procurava: Por conta da curva de nível do ultimo ginásio para a Elite 4, eu estava com os níveis um pouco abaixo do esperado para enfrentar o campeão. Além disso, uma das Elites dava uma enorme vantagem contra o tipo que escolhi. 


Mas indo para mecânicas paralelas, que eu tanto adoro em jogo de Pokémon, começarei com os Contests. Pra mim, jogo de Hoenn sem Contest não é jogo de Hoenn. Nos remakes, os Contests voltam similares aos dos jogos originais na base, mas com algumas mudanças. Primeiro, É que agora é muito mais fácil você maximizar os atributos do seu Pokémon aqui, porque não há mais limite de quantos Pokéblocos você pode dar ao seu Pokémon. Os Pokéblocos também sofreram mudanças, simplificando demais o processo: Antigamente, para fazer um Pokébloco, você tinha que estudar os atributos de cada Berry, e quanto mais rara a Berry, melhor ela vai ser pro seu Pokébloco; O anime estava certo, a Liechi Berry É uma das melhores Berries para Pokébloco, por exemplo; não só isso, você também teria que se dar muito bem no minigame do blender, para tudo dar certo e você conseguir maximizar so atributos do seu pokémon de contest ideal (e também era o método de evolução do Feebas para Milotic). Mas aqui nos remakes, cada Berry é dividido por cor, e juntar 4 da mesma cor vai gerar um Pokébloco para seu respectivo atributo, podendo ser um Pokébloco normal (dá menos pontos) ou um Pokébloco + (mais pontos). Simples.


Tela de cima do 3DS mostrando a condição de contest do pokémon

Passado a questão dos atributos, a hora do Contest de fato. Ele é bem igual ao do jogo original: tem a primeira rodada, que você mostra seu Pokémon, e o público julga seu pokémon, qual o mais “mais” de sua categoria; e é pra isso que os atributos servem: Para você ganhar vantagem de pontos já na primeira rodada. A segunda rodada é quando você usa os golpes, e cada golpe tem sua particularidade: Uns dão mais pontos, outros menos, mas atrapalham o oponente, ou te protegem da interferência do outro. Em teoria, não é muito diferente dos jogos originais, mas tem uma coisa: a Estética


Para começar, agora os gráficos do 3DS mostram bem que seu pokémon está em um palco todo brilhoso e iluminado, e eu sinto que ele reflete um pouco como eram as performances do anime de XY, o anime que estava sendo exibido na época; mas a coisa mais interessante é quando alguém consegue completar as barra de “entusiasmo” do público, o Pokémon não só ganha mais pontos (como no original), como também usa um golpe especial baseado no tipo dele, que é muitas vezes bem parecido com…. Z-Moves, a mecânica que seria introduzida na próxima geração. Além disso, o Pokémon capaz de mega evoluir vai fazer isso antes da animação do golpe.

Técnica especial do tipo grama quando o entusiasmo do contest chega ao máximo. A semelhança ao Z-Move Bloom Doom provavelmente não é só coincidência


Para finalizar a parte dos Contests, uma pequena Trivia: para “celebrar” os contests nesse jogo, ele possui uma Pikachu muito especial exclusiva só aqui: Pikachu Cosplay. É uma Pikachu que usa roupinhas especiais, cada uma simbolizando uma categoria dos contests, a cada roupinha dá à Pikachu um golpe especial que dá vantagem a sua respectiva categoria. Muito fofa, e eu ainda usei a Pikachu forma “Belle” na minha primeira gameplay desse jogo.


Artwork dos protagonistas com as Pikachu Cosplay

Saindo dos Contests e indo para outra mecânica paralela: As bases secretas. Para minha surpresa, foi escrevendo esse texto e pesquisando sobre, eu descubro que muita função legal que tem no remake na verdade já existia no original, eu só não podia usufruir delas, que é: Você pode fazer da sua base secreta seu ginásio. As pessoas podem ver sua base e até enfrentar um NPC que vai usar o seu time. Acontece que antigamente, você precisava conectar com a pessoa presencialmente para ter essa função, mas no remake, com a facilidade da internet, você podia só gerar um QR code da sua base que qualquer pessoa no mundo poderia ver sua base,e vice e versa. 

Atwork das Bases Secretas em ORAS

A facilidade da internet tinha tornado as bases secretas muito mais divertidas, e achava legal que a comunidade criava ginásios temáticos, ou até ginásios onde todos os Pokémon eram Blisseys, ajudando MUITO a subir o nível dos seus pokémon. Uma pena que eu não sei dizer mais se essa mecânica ainda funciona, e chuto que provavelmente não, já que os servidores do Nintendo 3DS já foram encerrados. 


Indo para questão de história personagens, eu notei como eles mudaram diálogos aqui e ali para que a história parecesse mais envolvente, e o fato que agora estamos no 3D, esses personagens agora podem fazer mais expressões; o Wally, por exemplo, aparece pouquíssimas vezes tanto no jogo original quanto nesse remake, mas o fato que você vê ele toda corado em Mauville para depois você ver ele perto da liga com uma expressão mais confiante, sei lá, é o tipo de coisa pequena que eu gosto, sabe? Outro exemplo é o Brendan, que parece muito mais presente na minha jornada (pelo bem ou pelo mal) e parece muito mais amigável que sua contraparte do GBA, que falou que eu pareço fraca, diferente do meu pai (eu guardo rancor, Brendan.)


O "Glow up" do menino Wally, agora mais confiante e com sua própria Mega

Quanto aos líderes de ginásio/ Elite 4… normalmente eles são são personagens muito complexos no geral, então o que gosto de ver neles é os times, porque eu tenho isso que pra mim o time dos personagens é um pouco a personalidade deles, então o que me deixa um pouco triste é que não há rematches dos líderes no remake, apenas da Elite 4. A Elite aqui usa Mega Evolução nos rematches, o que acho muito legal. Eu fiquei até imaginando na minha cabeça se esse jogo explorasse mais as megas, e os líderes pudessem cada um ter uma num pós game, seria tão legal! Eu super imagino Norman com Mega Kangaskhan, ou Brawly com Mega Medicham, Wattson com Mega Manectric…. qual seria os megas dos gêmeos? Cada um usaria um? Seria um pros dois? Seria Gardevoir e Gallade? Ou só um Mega Slowbro, o mega que se pega na Shoal Cave, caverna perto de Mosdeep? EU PRECISO SABER, GAME FREAK!


Outra coisa que é presente no remake é o “redesign” dos personagens. Alguns, como a Elite 4, parece mais ter sofrido uma atualização da arte, já os líderes na maioria teve uma atualização de outfit ( os que achei mais “mais” foram Brawly e Wallace), mas os que realmente chamam atenção aqui foram as equipes vilãs, Aqua e Magma. Eles foram os que sofreram o redesign mais radical, e certamente foi para muito melhor. Eles deram uma personalidade nova para os dois grupos, tanto apra os Líderes, quanto os Grunts e até os Administradores.


Equipe Magma e Equipe Aqua, os redesigns que mais chamam atenção


Mas confesso que eu pessoalmente prefiro os designs antigos dos protagonistas, Brendan e May. Os novos designs parecem mais fofos, o que eu não sou contra, na verdade eu gosto. Mas os antigos eram mais "Cool", mais "Maneiros", que é algo que eu prefiro mais. (Além disso, eu jogo Pokémon Masters, e as vezes os olhos imensos da May me encarando me assusta um pouco)


(Aliás, achei bem engraçado que provavelmente o pessoal que trabalha com Pokemon percebeu que os personagens humanos também fazem sucesso, e aproveitaram isso para ressaltar que o Steven é um cara muito bonito)

O Sonho de muita fã de Pokémon

E também tivemos personagens novos nos jogos. Exemplos seriam o Aarune, líder da guilda das Bases Secretas (que também eu acho meio esquecível), Lisia, Idol dos Contests (que é facilmente passada batido se você não participa dos contests, mas quando você se empenha, você vai ter vários diálogos com ela) e Zinnia, personagem principal do Delta Episode


Ah, sim… Delta Episode. Essa foi uma boa adição no jogo, sendo uma história extra de pós game, focada no Rayquaza, nas lendas antigas de Hoenn e de seu povo antigo, adicionando mais a lore da região; sem contar na nova personagem, Zinnia, que é bastante carismática. Gosto, torna a região mais memorável pra mim. Sem mencionar que também envolve viajar no espaço e enfrentar um Deoxys, muito daora.


Artwork do Delta Episode

É preciso mencionar também a trilha sonora, toda refeita do original. Mas eu quero mesmo é falar das novas trilhas, principalmente de batalhas. Não são muitas, mas acho elas muito legais. A primeira que vou mencionar é a do Wally, o que ajuda muito na questão dele ser um personagem com pouca presença no jogo original (sabia que ele é seu rival????), mas aí aqui ele tem uma trilha sonora catártica daquele menino tímido que agora está confiante com o poder da amizade e dos pokémon (e ele usa meu pokemon favorito, o Gallade); a outra é da Zinnia, que eu ousaria dizer que é uma das melhores músicas de batalha do jogo todo.



Voltando ao assunto “pós game”, eu não posso deixar de mencionar o Soar, a nova mecânica desse jogo, que você desbloqueia após derrotar/ capturar o lendário da capa. Com uma flauta, você pode invocar Latios/ Latias e voar livremente pelos céus de Hoenn. Além de ser muito legal sobrevoar pelo mapa de Hoenn, com isso você consegue visitar ilhas que possuem Pokémon não nativos de Hoenn e até lendários. Acho que é de praxe um jogo que marca o “fim de uma geração” ter vários lendários disponíveis para capturar, e não é diferente aqui. Os lendários nesse jogo em sua grande maioria não eram Shiny Locked, ou seja, você podia encontrar eles em sua versão shiny, fazendo a alegria de muitos Shiny Hunters na época

Artwork da mecânica de soar

e pra finalizar o pós game, temos… a Battle Maison, a instalação estilo battle tower que foi herdada de XY. O jogo menciona a Batalha da Fronteira, mas ela não existe aqui.

 Acontece que eu sou uma pessoa que criou o hábito de fazer as “towers” dos jogos depois da quarta geração, mas acredita que a Maison foi a única que eu não completei? Isso me deixava frustrada, porque eu tinha vários pokémon treinados, mas me faltava talvez saber montar um time com boa sinergia, e eu meio que perdi a paciência na época. Falo “na época” porque eu inventei que eu quero tentar de novo. Vai ser beeem aos poucos, porque esse tipo de coisa me exige uma paciência parecida com a de um Shiny Hunt, mais especificamente um Shiny Hunt de Pokéradar, onde era só cometer um erro e já era.


Battle Maison, a mesma construção que tem no XY

Sobre a Battle Frontier…. tem horas que eu falo “não faz falta mesmo”, Mas pensando bem, bem mesmo… ela faz falta, sim. Eu queria ver sim como seriam as artes dos personagens atualizados, ao invés de reciclar as de XY. Me faz falta porque eu percebi que as coisas que eu mais gosto no remake é justamente as coisas que eu não pude usufruir muito nos jogos de GBA, como os contests e compartilhamento de bases secretas, então eu queria sim tentar fazer a Battle Frontier do remake, tentar pegar as medalhas de ouro e me frustar muito por ter a coleção incompleta (caso não saibam, eu odeio Battle Factory com todas as forças).


RIP


Por fim, apesar de eu perceber o tanto de coisa boa que esse jogo tem a oferecer, é curioso como eu ainda tenho sentimentos conturbados por ele. É estranho dizer que, apesar de eu ter elogios por esse jogo, eu ainda prefiro jogar os jogos de GBA, e que esses me deram muito mais alegria que os remakes? Talvez minha nostalgia pela época do pixel art grita muito mais alto.


Pokedex de Hoenn


Quando se fala de Hoenn, por algum motivo a primeira coisa que penso é que lá naquela época que saiu a terceira geração, eu já ouvia a frase “Pokémon acabou na primeira geração”, as vezes com a variante “acabou na segunda geração”. Olhando bem friamente, num parâmetro geral, eu percebi que na verdade, de fato, tem muito Pokémon que, a primeira vista, ou eu não gosto, ou eu não ligo. Mas vamos por partes.


A começar com os iniciais, eu preciso dizer que na verdade eu acho um trio muito bom. Talvez um dos melhores trios de iniciais de todos, todos parecem bem legais.. Lembro que quando criança eu gostava muito da linha do Blaziken, porque era a que mais aparecia nas revistas, também. Afinal, foi ele que apareceu primeiro no anime, derrotando o Ash na liga Johto. Hoje, confesso que gosto mais da linha do Mudkip, apesar que ainda tenho apreço pela linha Torchic. Já a linha do Treecko, confesso gostar do Grovyle, mas não muito do Sceptile, mas reconheço que é um lagartão que pode atrair muita gente.


Denunciando minha idade na internet

No outro extremo, temos os lendários, tendo 8 deles. Eu gosto demais dos lendários de capa também, talvez eles estariam fácil num top 3 lendários favoritos. As formas Primal/ Mega deles também são bem legais. Por mais que muita gente goste mais do Rayquaza, eu tenho uma preferência pelo Kyogre. Sempre achei esse bicho bonito, mas foram os jogos mais recentes que me fizeram gostar mais ainda desse bicho, com aquele sorrisinho que ele faz nas features de interação.


hehehehehehehe

Já os outros lendários, Eu até gosto da dupla Latios e Latias, apesar de eu detestar a forma mega deles. Já o trio de golens, Regice, Registeel e Regirock, eu já não gosto muito. Apesar do filme do Lucario ter dado atenção para eles com eles cries assustadores, ainda não foram o suficiente para eu gostar o bastante deles. 


Mas ainda temos os míticos, 2 no total: Jirachi e Deoxys. Até aqui, era de praxe termos míticos do tipo psíquico, e também é de comum eu gostar deles. Como eu disse lá em cima, o filme do Jirachi é um que me marcou muito, então eu digo facilmente que esse é um dos meus míticos favoritos. Ele além de fofo, tem o tema de estrela, que eu amo, e tem um olho na barriga, o que faz ele ter um aspecto meio grotesco que eu também amo. 


aparentemente esse detalhe do olho do Jirachi passa batido para muita gente


Deoxys também é um pokémon que eu gosto, menos que o Jirachi, mas gosto. Lembro que minha impressão dele foi de eu achar ele esquisito, mas um esquisito de uma forma fascinante (porque eu vi a forma normal dele). Das 4 formas, gosto mais da forma velocidade.

"EU SOU A VELOCIDADE"

Dos Pokémon no geral, confesso ter poucos que eu considero “de estimação”, do tipo que carrego comigo até as gerações mais novas. Um deles é o Skitty, que eu acho um dos pokégatos que mais gosto. Milotic e Mawile são outros exemplos, assim como Roselia, principalmente por conta da sua futura evolução, Roserade. Mas aí vem aquele pokémon, o pokémon que eu diria que “alterou a química do meu cérebro para sempre”.


….. Gardevoir.



Eu lembro, quando criança, ter jogado Ruby/Sapphire ás cegas, e achar o Ralts esquisito, feio. Mas foi jogando Pokémon Pinball Ruby/ Sapphire que eu descobri que ele evoluia para aquilo que talvez fosse o meu pokémon favorito da vida. Mais ou menos.

Achava Gardevoir a coisa mais linda que eu já tinha visto. Foi instantâneo. Um pokémon que parecia uma moça de cabelo curto e longos vestidos brancos. Eu era fascinada por aquele pokémon. Até hoje, eu tenho dificuldades de jogar um jogo de Hoenn e NÃO ter um Gardevoir no time. Até nas novas gerações, quando surgiu Mega Gardevoir, se tornou uma das minhas Megas favoritas


Artwork de Mega Gardevoir para o Pokémon TCG Pocket, por Akira Egawa

Hoje em dia, eu não diria que Gardevoir é meu pokémon favorito, isso vai para sua contraparte masculina, Gallade. Mas é fato que hoje meu tipo favorito são os mais humanóides. Gallade, Armarouge, Ceruledge, Iron Valiant. Sinto que tudo isso é graças a Gardevoir, então eu ainda tenho muito carinho por esse pokémon. Uma pena que eu não sou fã do tipo de arte que fazem desse pokémon. Vocês sabem das quais estou falando. (Infelizmente já tive contato com elas desde minha tenra idade, idade que eu não deveria ter visto esse tipo de conteúdo) 


Amo, amo.


Quanto aos vários outros pokémon de Hoenn no geral, eu diria que eu tenho muitas antipatias. Seria forçação da minha parte falar que eu gosto de pokémon como Exploud, Hariyama, ou swalot; até em casos de pokémon do meu tipo favorito, psíquico, não sou muito fã dos exemplares de Hoenn, como Grumpig, Solrock, Lunatone e Claydol. 


Mas pensando muito sobre o assunto, eu diria que existe algo em alguns pokémon de Hoenn, algo que começou a fazer ter um apreço por eles. É algo que gosto de falar que “são legais para a construção do universo Pokémon”. O que me lembra que Hoenn na verdade possui uma temática sobre ecologia: o professor da região, Birch, é especializado em habitats e distribuição das espécies. E pensando assim e olhando para certos monstrinhos, faz sentido.


Quando eu paro de olhar para todo pokémon pela lógica “capturar monstrinhos, montar um time legal e forte e vencer a liga”, eu penso muito em spin offs de Pokémon. Jogos que falam um pouco sobre pokémon e ecologia tendem a mostrar mais desses monstrinhos nessa ótica mais naturalista, como a série Pokémon Ranger e Pokémon Snap. E foi aí que eu descobri que eu tenho um carinho muito especial para certos pokémon de Hoenn, como Wingull, Wailmer, Tropius, Luvdisc e Clamperl. Por serem mais animalescos, eu gosto muito de ver eles no ambiente. Eu gosto muito como colocam Wingulls em cidades portuárias e regiões costeiras, eu gosto de quando o jogo mostra alto mar e tem Wailmers por alí, quando o jogo mostra o fundo do mar e tem Clamperls e Luvdiscs, sem contar que sempre, SEMPRE vai ser impressionante esses jogos mostrando Wailords, principalmente quando eles mostram o pokémon em seu tamanho verdadeiro; é sempre legal quando um jogo mostra o kecleon, ou melhor, NÃO mostra ele, ou só mostra as listras em sua barriga. Todos são pokémon que eu não tenho interesse algum em ter nos meus times, mas eu gosto deles ali. São pokémon que eu vou gostar de ver em jogos novos que tem mundo aberto, e eu vou adorar ver eles em Ventos e Ondas, se estiverem lá.


Wingull virou um queridinho meu de Hoenn



Grid de Hoenn


O Monotype

Quando escolho um tipo para Monotype, eu sempre prefiro escolher uma tipagem que eu possa capturar um pokémon antes do primeiro ginásio. Mas desta vez ( e em muitos jogos após esse) eu resolvi só unir o útil ao agradável: Eu usar a tipagem do meu inicial. Logo, dessa vez, o tipo que escolhi foi o Grama, e o jogo foi o Alpha Sapphire.


Grama é um tipo que tem uma variedade boa na própria terceira geração, e os remakes deram uma ajudinha a mais nesse time, então achei bem legal que meu time foi quase todo de pokémon da terceira geração (Eu podia na verdade até ter feito ele no GBA, parando pra pensar)


Comecei com Treecko, obviamente, e logo antes do primeiro ginásio eu já teria um time de 3 Pokémon: Treecko, Shroomish e Lotad, o último sendo o motivo de eu ter escolhido AlphaSapphire e não OmegaRuby.


Pela tipagem, não tive dificuldades pro primeiro ginásio, e eu também não lembro de ter dificuldade no segundo, e eu estava na verdade subestimando o jogo, porque a sexta geração tem uma fama de serem “fáceis demais”. Eu estava com o Exp. Share desligado, mas mesmo assim meus pokémon pareciam estar a par com o nível dos adversários, até mais fortes. Mas aí teve aquela famosa luta contra o rival (Brendan, no meu caso). Nessa luta, o rival tem os 3 tipos iniciais: Um de grama, um de água e um de fogo. Apesar de um dos meus pokémon de grama também ser de água (Lombre), Ele não era páreo para o Combusken, que não só tinha golpes de fogo, como também voadores. Eu devo ter perdido umas 3 vezes pra ele por querer “correr” com o jogo e evitado treinadores.


A famigerada luta da rota 110


Ainda pela fama de ser um jogo fácil, eu queria evitar ao máximo deixar meus pokémon acima do nível do ginásio, mas mesmo assim, mesmo com o Exp. Share desligado, eu estava com meus pokémon no nível 24, enquanto o Wattson estava no 21. Eu inventei de adicionar 2 novos pokémon no meu time pra ver se balanceava esses níveis: Oddish e Roselia. No começo, eu pensei em não deixar esses 2 no time final, mas o tempo me fará mudar de idéia.


Foi depois do Wattson, quando comecei a me envolver com o plot do jogo, que percebi o peso do monotype: Eu também subestimei a Team Aqua, afinal, a maioria dos pokémon deles são de água ou sombrios…. mas também eles possuem muitos Zubats, Golbats e Crobats. E esses morcegos foram o motivo de muito sofrimento nesse desafio. O que não é ruim, afinal, Eu estou fazendo um monotype pra isso. 

Meu maior inimigo dessa run


Após sofrer para o Archie, era hora do quarto ginásio. Eu confesso que dessa vez eu super estimei a Flannery, por ser treinadora do tipo fogo. Por isso, acabei indo atrás de uma Water Stone antes do esperado, e levei já um Ludicolo para enfrentar ela. Talvez tinha sido um erro ou uma dádiva, porque foi só um Ludicolo com Bubblebeam pra vencer todos os pokémon da Flannery com um golpe só. Confesso que eu esperava que ela conseguisse pelo menos colocar o Sunny Day em campo.


Ginásio vencido, era hora de adicionar mais dois importantes membros do meu time: Lileep, que é um dos meus fósseis favoritos e essencial pra essa segunda metade do jogo, já que é também um pokémon de pedra, que vence os tipos voadores; e Cacnea, que eu subestimei muito, pensei em não levar até o fim, mas foi uma excelente captura.


Foi no ginásio do Norman que voltou essa impressão de que “Sexta geração é fácil demais”, porque eu sempre tenho receio com o Norman, já que ele usa aqui dois Slakings. Slaking é um pokémon que só ataca uma vez a cada dois turnos, mas ele possui um ataque altíssimo, podendo eliminar seu Pokémon num golpe só. Eu sei que ele é o terror para muitos Nuzlockers despreparados, por exemplo. Mas aqui foi meio decepcionante, porque ele já começou usando golpes para me “atrapalhar”, como Yawn e Encore, que facilmente eu poderia lidar. Vencendo o primeiro Slaking com meu Breloom, o Vigoroth também quis me prender em Encore, mas eu estava usando Bulk Up, golpe que aumentava meu Ataque e Defesa. Por mais que o Vigoroth depois estava me atacando, eu cheguei a maximizar meus stats, então sesu golpes não eram o suficiente para me derrubar. Depois do Encore ter acabado, foi só um Mach Punch para derrotar o Vigoroth e outro pro segundo Slaking. 


Com a quinta insígnia, era hora de pegar o último membro do meu time: Tropius, que seria também o Pokémon que eu usaria para voar por Hoenn. A esse ponto, eu estava rotacionando entre 7 Pokémon, já que ter Oddish, agora Vileplume e Roselia no mesmo time parecia redundante, então dei preferência à Roselia, por ser da terceira geração e porque eu queria ter um Roserade. 


Chegando em Fortree, eu estava com receio da Winona. Afinal, até aqui, meu maior problema nesse jogo estava sendo os tipos voadores. Minha única resposta para ela era o Lileep, que ainda não tinha nível para ser um Cradily, e ainda não tinha acesso a golpes de gelo para o Ludicolo. Mas aí eu tive uma grande sorte: era em Fortree que dava para conseguir o TM de Hidden Power. Para quem não era da época, Hidden Power é um golpe que pode possuir qualquer tipo, que era definido pelos IVs de cada pokémon. Eu fui ver qual era o Hidden Power dos meus Pokémon, e por muita sorte, eu tinha outra resposta para a Winona: Minha inicial, ainda uma Grovyle (sim, era fêmea, queria só mencionar), tinha Hidden Power elétrico. Eu deveria ter evoluído ela, afinal assim eu teria acesso a Mega Evolução.


Tipo voador foi o que mais tive dificuldade em lidar, na maioria das vezes por conta da velocidade 


Winona não foi uma oponente fácil, porque mesmo com golpes elétricos, Grovyle é um pokemon bastante frágil, então se eu não conseguisse vencer os pokémon num único Hidden Power, só um golpe dos pokémon ela eram o suficiente para derrubar minha lagartixa. Além disso, Lileep não era exatamente um pokémon poderoso, apesar de ser o que mais tinha vantagem. Não foi um absurdo de difícil, mas certamente o mais desafiador até agora, já que eu precisei gastar alguns revives.


Depois dela, Indo para a rota ao sul Mt. Pyre, eu fui direto para a NPC que dava o TM de Giga Drain, porque ironicamente, meu time monotype GRAMA quase não tinha golpes bons de GRAMA, então o Giga Drain era uma boa pedida. Acontece que eu estava muito em mente os jogos originais, e descobri da pior forma que o TM de Giga Drain foi removido aqui. Golpes bons de grama como Giga Drain e Energy Ball agora só podem ser obtidos no pós jogo, o que era um problema. Nisso, tive que apelar para… metodos alternativos para atualizar os golpes dos meus Pokémon. Finjam que eu transferi todos eles pra um outro jogo e ensinei golpes para eles lá, como eu realmente tinha feito no SoulSilver. Claro, era mais pra colocar o Giga Drain em pelo menos uns 3 dos meus pokémon, porque eu não entendia o porquê tiraram a maioria dos TMs minimamente decentes de golpes de grama do jogo. Foi só fazendo essa gameplay que descobri que para o Ludicolo aprender golpes bons de grama, eu deveria ter evoluído meu LOTAD (sim, Lotad, não Lombre) só no nivel 30. Ou isso, eu eu precisava ficar caçando Lotads nas primeiras rotas com o Dex Nav até vir um com o Giga Drain. Fora Ludicolo, comecei a me incomodar pela quantidade de golpes físicos que Sceptile aprendia, sendo que é um Pokémon de Ataque Especial alto. Também ensinei Dragon Pulse para ela, já que a Mega Evolução ganha o tipo dragão. 


Depois disso, não lembro de ter dificuldades no jogo, talvez só com o Swellow do Brendan, que tinha Double Team. Tate e Liza foram tranquilos, e o Wallace também, já que era um treinador com fraqueza ao tipo grama,


Mas é mais ou menos nessa etapa do jogo que alguns personagens importantes começaram a usar megas. Dessa vez não só o Crobat do Archie que era um problema, ele agora também tinha um Muk, e o Sharpedo dele, agora mais rápido e mais forte por conta da mega evolução, também acabou levando alguns Pokémon meus por conta do Poison Fang. 


ACHOU QUE EU SÓ USAVA POKÉMON DE ÁGUA? ACHOU ERRADO, OTÁRIA


Após a finalização do plot principal do jogo, que é capturar o Kyogre (confesso que acabei derrotando ele sem querer), o jogo libera a Eon Flute, que permite você sobrevoar Hoenn com Latios ou Latias, e libera a National Dex, ou seja, agora eu conseguiria encontrar Pokémon de outras regiões pelo mapa. Nisso, até pensei na possibilidade de colocar um novo pokémon no meu time, mas eu decidi que não.


Chegando na Victory Road, a caverna final antes da liga, tive a batalha final contra o Wally, o que não era um problema no geral, mas eu tive dificuldades no Mega Gallade. Nisso eu percebi que eu talvez estivesse subestimando a facilidade do jogo, e talvez eu deveria ter ligado o Exp. Share antes de entrar na caverna, porque eu lembro que nos jogos originais a curva de nível entre o último ginásio e a liga era um pouco alto. Eu estava com o nível abaixo da média nesse ponto do jogo. 


Chegando na liga, eu tinha que decidir quem levar, afinal, eu estava rotacionando entre 7 Pokémon. Um deles iria ficar de fora na equipe final. Assim, tive que tirar Tropius, que apesar de ser um pokémon muito útil para me movimentar pelo mapa, por ter acesso ao Fly, em batalha estava deixando muito a desejar, além de não ter muitas vantagens contra os tipos da elite. Nisso, o time ficou:


-Sceptile, que era a Mega da equipe; além dos golpes dragão e elétrico, também ensinei Earthquake para ela

- Ludicolo, que normalmente é o representante do tipo água da equipe, aqui seria também útil por ter aprendido o golpe de gelo Ice Beam

- Breloom, que por conta do tipo lutador, seria muito útil para o tipo sombrio e gelo da elite, além do tipo metal do campeão; além disso, também tinha Stun Spore, para paralizar os adversários

- Roserade, que seria de grande ajuda por ter acesso a golpes Fantasma (Shadow Ball), Fada (Dazzling Gleam) e Veneno (Sludge Bomb)

- Cacturne, que era minha melhor resposta ao tipo fantasma, além de poder diminuir velocidade com Cotton Spore

- Cradily, que além de ter golpes pedra, sendo uma boa resposta ao tipo gelo, também possuia um golpe Terrestre, sendo uma alternativa para o campeão


Na Elite, eu acabei indo com alguns níveis abaixo do esperado. Eu achava que estava tranquilo, afinal, quando joguei Sapphire, eu também estava com níveis bem abaixo do normal e consegui passar. Mas eu estava sendo idiota, não estava cosniderando que no Sapphire eu estava com um time com tipso variados, e não um monotype. 


Na primeira vez, não foi uma tarefa fácil, mas eu estava lidando bem. Com o Sidney, usei principalmente o Breloom, com alguns Bulk Ups e Mach Punches e consegui vencer (foi a mesma estratégia que usei no Sapphire). Para Phoebe, usei Cacturne em boa parte, com Roserade para ajudar no Sabelye, que agora tem fraqueza a golpes de fada. Já a Glacia foi definitivamente a mais complicada. Eu até podia falar que tinha respostas, mas não muda o fato que todos os pokémon do meu time possuem fraqueza a gelo, com exceção do Ludicolo, que era neutro. Foi a personagem que mais precisei abusar de revives e poções. Já Drake foi o mais fácil, já que dos seus 5 pokémon, 4 possuem fraqueza quadrupla a gelo, e Ludicolo tinha Ice Beam. Para Kingdra, a resposta foi Sceptile com Dragon Pulse.


Minha maior inimiga nessa liga


Agora era hora do campeão, e essa sim foi uma batalha difícil. Para ser mais específica, o mais difícil definitivamente foi Skarmory, que se não fosse o Hidden Power da Sceptile eu não teria como passar; Cradily com Sludge Bomb e, claro, Mega Metagross. Mega Metagross era extremamente forte, e conseguia derrotar com facilidade todos os pokémon que possuiam algum golpe que podia afetar ele. Lembro que Eu cheguei a deixar ele com pouco HP, mas no dia estava só cansada e decidi deixar ele ganhar. Outra hora eu termino.


Tipo metal é um tipo bem chato de se lidar, principalmente quando se usa só grama. Mesmo com parte do time sendo de outros tipos, só um deles era realmente fraco contra grama.

Na segunda leva, agora com meus pokémon um pouco mais fortes, passei da elite 4 com um pouco mais de facilidade (tirando a Glacia). Esses níveis foram muito necessários para lidar melhor com os pokémon do Steven, mas ainda o Metagross era forte demais. Mas aí, dessa vez eu contei com algo que eu não tive na minha primeira jogatina: SORTE. Com muita sorte, Roserade conseguiu desviar de 2 Zen Headbutts que certamente o derrotariam, e com 2 ou 3 Shadow Balls, consegui enfim derrotar Steven, me tornando assim campeã de Hoenn com apenas pokémon do tipo grama. 


Foi um desafio bem divertido, porque eu sempre tive essa coisa com jogos da sexta geração por serem “fáceis demais”, e de fato, havia momentos que eu sentia que o jogo estava me dando muita colher de chá (Norman não me atacando, por exemplo), mas a desvantagem de só usar um tipo me trouxe desafios bem interessantes, como o Archie, que praticamente virou meu arqui inimigo nessa gameplay, e a Glacia, que trocou seu exército de morsas para ter 2 Froslass bem rápidas que destruiam meu time. 


Mas como eu mencionei em parágrafos anteriores, apesar de ter me dado um desafio interessante, eu de certa forma comecei a querer jogar de novo os jogos de GBA. Talvez um dia eu até repita o desafio monotype grama, mas agora lá no Sapphire, ou talvez Emerald com o mesmo time (menos Roserade, que seria Roselia, ou trocando por Vileplume ou Bellossom, já que Emerald não possui Roselias selvagens).


Time final monotype grama




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