Celebrando Story of Seasons e Rune Factory

 

Introdução

Em 2026, celebramos o aniversário de duas franquias que gosto de chamar de “jogos de fazendinha”: Story of Seasons, que celebra 30 anos, e Rune Factory, que celebra 20 anos. Ambas são desenvolvidas pela Marvelous.

Story of Seasons, antigamente conhecida como “Harvest Moon” (também chamada de “BokuMono” pelos fãs, vindo da abreviação do nome japonês, “Bokujou Monogatari”) começou em 1996 com o jogo “Harvest Moon” para SNES. Nele, o jogador precisa cuidar de uma fazenda, cuidando de plantações e animais, bem como interagir com os moradores da cidade e, eventualmente, casar com uma das personagens disponíveis, podendo ter filhos com a escolhida. A franquia cresceu e dura até hoje, com o mais recente título sendo Story of Seasons: Grand Bazaar, remake do jogo de DS, e mais um título anunciado para o futuro. 


Harvest Moon era desenvolvido pela Marvelous e distribuído pela Natsume, porém, a Marvelous decidiu que seus jogos iriam ser localizados pela empresa XSeed Games, e com isso, a Natsume ficou com os direitos do nome “Harvest Moon” fazendo com que a Marvelous precisasse trocar o nome ocidental da franquia para “Story of Seasons”. Apesar disso, a Natsume ainda produz jogos com o título “Harvest Moon”, mas que não são mais desenvolvidos pela Marvelous. 


Já Rune Factory surgiu em 2006 para o Nintendo DS, com o subtítulo “A Fantasy Harvest Moon”, por ter exatamente essa proposta: É Harvest Moon, onde você pode cuidar da sua fazenda, casar e ter filhos, mas com o adicional de que está num mundo de fantasia, e, com isso, também é adicionado um novo fator: RPG de ação. Além de seus afazeres no campo, você também pode derrotar monstros e subir de nível, o que é importante porque essa franquia possui um foco bem maior na história do que os títulos de Story of Seasons. Você não é só um fazendeiro, você também é o herói desse mundo, que precisa salvá-lo de uma ameaça.


Os jogos de Rune Factory em sua maioria já possuem atuação de voz nos seus personagens, coisa que só foi aparecer em Story of Seasons recentemente. Também é uma marca registrada dos jogos principais da franquia possuir uma abertura em anime. 


Apesar de ter sido vendido originalmente como spin off de Harvest Moon, a franquia Rune Factory hoje conta com 8 jogos, 5 da franquia principal e 3 spin-offs (com o rune Factory 6 já anunciado) 


Para celebrar as duas franquias, eu decidi listar alguns dos meus destaques, meus jogos favoritos de ambas, mesmo que eu seja novata em Rune Factory)



Harvest Moon: More Friends of Mineral Town



Lançado em Dezembro de 2003 no Japão e em Julho de 2005 nas Américas para o Game Boy Advance, Esse jogo é a versão feminina de “Friends of Mineral Town”, lançado em Abril de 2003 (JP) e Novembro de 2003 (NA), que por sua vez, é na verdade um remake do jogo “Harvest Moon- Back to Nature”, lançado em 1999 para o Playstation. Assim como a versão de PS1, a versão de GBA é comumente a mais querida dos fãs, provavelmente sendo o primeiro contato com a franquia. E esse é o meu caso. Eu nunca joguei a versão de PS1, mas eu joguei MUITO a de GBA, principalmente a primeira versão, a “masculina”. Foi muita surpresa pra mim, quando criança, quando descobri a “versão feminina”, o que tem “more” no subtítulo. Para a época, talvez fosse a primeira vez que eu estava jogando essa franquia como menina, e poderia me casar com rapazes e não com as moças (Apesar que, parando pra pensar, para esse jogo específico eu tenho muito apego pelas personagens femininas) 


O Jogo não tem muito segredo: Você pode plantar, cuidar de animais, minerar, coletar materiais, se relacionar com os personagens, participar de festivais, se casar, ter filhos, etc. Minhas memórias mais marcantes foi eu ter jogado esse jogo o suficiente para eu conseguir ver um casamento rival. Caso não saibam, em jogos antigos de Harvest Moon (começa com o de N64), os pretendentes poderiam se casar com outros personagens, e não com você. Lembro bem que o primeiro casamento que presenciei foi com Ellie, que se casou com o Médico (de nome Doutor, aparentemente). Também lembro de eventos específicos, como o festival das galinhas na verdade ser um minigame de… sumô de galos. 


Apesar de eu ter começado a franquia com a versão de Super Nintendo, esse é definitivamente meu jogo favorito da infância, e ouso dizer que talvez seja um dos jogos mais importantes da minha vida “gamer”. 



O jogo recebeu um remake em 2019 (JP)/ 2020 (Resto do mundo), Intitulado “Story of Seasons: Friends of Mineral Town”, saindo primeiro para o Nintendo Switch, mas depois portado para os consoles da época: PC, XBox One e Playstation 4. O Remake em si eu costumo falar que é um remake de “qualidade questionável”, por ser aquém da qualidade dos jogos da época. Mas mesmo assim, eu gosto bastante desse remake, principalmente pelas diversas melhorias de qualidade de vida (bolsa maior, poder regar as plantas do meio, etc) apesar de eu pra sempre ter carinho pelo original, e remake nenhum vai substituir essa minha experiência. 


Story of Seasons: A Wondeful Life



Lançado em 2023 para Switch, PC, XBox Series X|S e Playstation 5. O jogo é um remake do Harvest Moon de mesmo subtítulo, saindo originalmente para Game Cube em 2004 e sua versão feminina, Another Wonderful life, em 2005. Além disso, uma versão especial foi lançada em 2005 para o Playstation 2, adicionando mais uma pretendente para casamento, Lumina.


Eu preferi citar a versão do remake, porque eu lembro de ter jogado ele no PS2, mas não tenho memórias o suficiente dele da época para falar dele aqui, diferente do remake, que joguei faz uns 2 ou 3 anos. 


Quando penso nesse jogo, eu penso primeiramente que eu inventei de ficar vendo reviews desse jogo, e é bem comum que pessoas que jogaram esse jogo às cegas, sem contato nenhum com a franquia, e acostumado com jogos como Stardew Valley, tendem a odiar esse jogo. Não julgo, o jogo tem bem menos coisas pra se fazer que no SV, pelo menos no primeiro ano, e é bem possível que os mais insistentes acabam enjoando do jogo lá pelo terceiro ano, pela gameplay mais repetitiva e menos coisas pra “dar upgrade”. 


Ainda assim, eu entendo muito bem o motivo desse jogo ter ganhado remake: Ele é um jogo muito único, mesmo entre os jogos da sua própria franquia. Não sei o quão isso é spoiler, mas esse jogo se trata sobre… vida. Vida, crescimento, envelhecimento e… morte. Aqui, a passagem dos anos não é só o fim de um ciclo, como nos outros jogos do gênero: o tempo realmente passa aqui. Você vai ver alguns dos moradores daquele minúsculo vilarejo crescer, envelhecer e, infelizmente, partirem em alguns casos. 


O jogo também foca bastante no aspecto da família, já que seu filho é um personagem importante nesse jogo: já quando nasce, ele possui interesses e talentos para certas áreas, e é seu dever como pai/mãe incentivar esses interesses para que, quando ele for adulto, ele escolha sua carreira profissional. Sim, seu filho nesse jogo tem um tipo de “barra de stats” que vai aumentando com o tempo. Sua criança também vai ter aparência e personalidades distintas baseado no personagem no qual você se casou, então é interessante o fator replay, porque seu filho não vai ser sempre o mesmo em toda gameplay.


Como jogo de fazenda, eu acho mecanicamente mais fraco que os outros, mas é um jogo que me marcou bastante pela narrativa e temas que ele trouxe. Eu queria que tivesse algum jogo (nem que seja indie) que se inspirasse nesse jogo para fazer uma versão mais polida, mais robusta, talvez com mais personagens. Quem tem nostalgia por esse jogo no GC/PS2 fala que não gostou como o remake parece ter “Higienizado” o jogo em alguns aspectos, como em características de personagens e remover algumas mecânicas do jogo que poderiam ser “punitivas” ( por exemplo, antigamente, não alimentar os animais causaria na morte deles. No remake, os animais nunca morrem, independente o quão mal você trate eles) e, por isso, eu tenho uma curiosidade de jogar as versões originais, dessa vez pra valer.


Harvest Moon: The Tale of Two Towns



Lançado em Setembro de 2011 para DS, e em Novembro de 2011 para 3DS; por fim, e em Dezembro de 2017, foi lançada uma versão melhorada para o 3DS, apenas no Japão.


Talvez aqui, uma parte de mim pode ter uma “nostalgia cega”, porque eu revisitei esse jogos pouquíssimas vezes depois, apesar de ter sido um dos Harvest Moon que cheguei mais longe em um único save (fui para o ano 9)


Aqui, a história eu acho bem besta, mas eu gosto da dinâmica: Duas cidades viviam próximas uma a outra, com um túnel conectando elas. Porém, os moradores das cidades começaram a brigar entre si porque…. um achava que a culinária da sua cidade era melhor que a da outra. Nisso, a Deusa da colheita resolveu fechar o túnel, separando as duas cidades, que viraram rivais desde então. Assim, toda semana, eles fazem uma competição de culinária para saber qual cidade cozinha melhor. 


Com isso, aí vem uma dinâmica que acho interessante: Ao começar o jogo, você precisa escolher qual cidade você precisa escolher entre essas duas cidades (o que dá o título do jogo): Por um lado, temos Bluebell, que é uma cidade de estilo europeu, e que foca na criação de animais. Aqui, é possível fazer plantio, mas o espaço é bem mais limitado. Do outro lado, temos Konohana, que possui um estilo mais oriental, e é focado em plantio, enquanto o espaço para criação de animais é bem menor. Você, contudo, pode visitar o espaço da outra fazenda a vontade (Isso é muito bom pra quem começa em Bluebell, como eu. O jogo não te impede de usar o espaço de Konohana), bem como trocar de fazenda uma vez por mês.


Entre as duas cidades, há uma montanha bem grande, e você precisa atravessá-la para chegar na outra cidade, e com isso você pode coletar vários itens pelo caminho. Além disso, o jogo permite você coletar insetos e poder pegar pequenos peixes com as mãos em pequenos córregos, além de pescar em lagos mais fundos. Aqui, sua caixa de itens pode ser acoplada no seu cavalo, facilitando demais o manejo de itens. 


Mas olhando retroativamente, o jogo tem diversos problemas que hoje eu considero um incômodo, mas provavelmente na época eu conseguia ignorar. Uma delas é que quase nenhum lojista aceita abrir sua loja em dias chuvosos. Outra é que geralmente esses lojistas só mostram 3 dos seus itens a venda, e eles são aleatórios. Mas talvez o que mais incomoda é a progressão do jogo, onde ele limita um upgrade por mês para sua fazenda. Quer aumentar sua área de plantio? Quer comprar uma cama de casal? Você só pode escolher um, o outro fica para o mês seguinte. O mesmo para suas ferramentas. Talvez seja até esse um dos motivos no qual eu quis jogar esse jogo por tanto tempo: Eu querer todos os upgrades. 


Já sobre a competição de culinária, ela acontece toda semana, mas não é obrigatório você participar, mas assistir é, pelo menos para progredir na história principal do jogo. MAS eu lembro que eu peguei um gosto no aspecto culinário desse jogo, eu sempre queria fazer a melhor receita, e os guias online eram minha nessa jornada. Participar dessas competições faz com que as cidades rivais começam aos poucos a se darem melhor, e vencer elas faz com que a amizade entre eles suba mais rápido, agilizando o processo de liberar o túnel, que cria um atalho pras duas cidades. 


O jogo herda muitas mecânicas do seu antecessor, o Grand Bazaar (DS), como pular, coletar insetos, sistema de “frescor” dos alimentos (eles podem apodrecer), os pets (cães e gatos) podem te ajudar na fazenda cuidando dos animais. Além disso, o jogo conta com novas opções de plantação, novos animais, e é o primeiro que introduz apiário, além de uma mecânica onde você pode escavar em fileira, fazendo com que a água corra por toda a fileira quando você rega, economizando bastante tempo. 


O jogo também conta com uma nova mecânica para os animais ( que a maioria dos jogos não remakes adotam), que é você poder aumentar a produtividade dos seus animais, podendo produzir mais do que um leite, ovo ou lã por vez. Porém, esse é um dos poucos (talvez o único) em que seus animais podem simplesmente… morrer de velhice. Talvez quando você joga esse jogo por um ou dois anos não sinta, mas quando joga por mais de 9 como eu, você vai ver vários dos seus animais partindo simplesmente porque era a hora deles. 


Apesar do progresso lentíssimo, eu tenho um forte carinho por esse jogo, sendo meu favorito da era DS, mas ainda perdendo para títulos como Trio of Towns, Friends of Mineral Town e o remake de Grand Bazaar.



Story of Seasons: Trio of Towns



Lançado para Nintendo 3DS em Fevereiro de 2017 (América do Norte), esse jogo é o segundo jogo da franquia pós separação Natsume/ Marvelous, consequentemente, o segundo com o nome “Story of Seasons”, e não mais “Harvest Moon”


A história desse jogo é bem simples: Você, um(a) jovem adulto(a), decide que quer realizar seu sonho de cuidar de uma fazenda. Seu pai, mesmo achando um absurdo, cede, e você começa a trabalhar na fazenda de seu tio, Frank, que lhe ensina o básico. Seu objetivo no jogo é cumprir alguns requisitos dados ao seu pai para provar que você é capaz de se cuidar sozinho e da fazenda, além de contribuir para o crescimento das três cidades que o jogo tem. Quanto mais você progride nessas missões, mais sua fazenda cresce.


Sim, diferente de Tale of Two Towns, o jogo agora possui TRÊS cidades. Mas isso não significa que você terá que escolher uma para morar. As três cidades servem para mostrar diferentes personagens de diferentes culturas, cada um com seus festivais únicos, além de que cada cidade pode oferecer diferentes itens, sementes e animais para sua fazenda. Quanto mais você compra em cada cidade, participa de festivais, interage com os moradores e vende para eles, mais o “ranking” da cidade aumenta, disponibilizando novos itens. 


O jogo explora bem diversas mecânicas, polindo várias de seus antecessores da era 3DS. Temos colheitas gigantes, temos customização de fazenda que dá boost em atributos, temos diversas opções de animais, temos aumento de produtividade desses animais, temos arrozal, temos diversos maquinários para processamento das suas produções, temos diversas interações entre os personagens, bem como eventos especiais, temos customização de personagem, etc.


Esse jogo facilmente é um dos, se não o, meu favorito de todos da franquia. As mecânicas de fazenda são bem legais, de certa forma customizáveis (coisa herdada de A New Beginning, de 3DS), tem bastante opção de animais, vegetais, upgrades de ferramentas, opções de roupas, e principalmente: Os personagens são muito legais, tanto os casáveis quanto os outros cidadãos. Eu diria que esse jogo tem o melhor “cast” de personagens casáveis de toda a franquia. Eu até digo que é por causa desse jogo que eu não tenho tanto apego ao Stardew Valley. Porque eu realmente amo, amo esse jogo, e tudo nele parece tão bom! Talvez a única coisa que eu posso falar que esse jogo peca é na falta de uma mecânica melhor para mineração, e isso é uma coisa que todos os títulos de 3DS pecam. Mas é uma coisa que eu sinto pouca falta nesses títulos, sinceramente. É tanta coisa para fazer que eu não sei se eu queria mesmo ficar entrando em minas.



Story of Seasons: Grand Bazaar



Lançado em Agosto de 2025 para Nintendo Switch, Switch 2 e PC, e posteriormente para PS5 e XBox Series X/S, Story of Seasons: Grand Bazaar é remake do Harvest Moon de mesmo subtítulo, lançado para o Nintendo DS em Dezembro de 2008 no Japão e em Agosto de 2010 na América do Norte. Esse talvez seja o único dos remakes que eu lembro de ter jogado o original, mas não ter gostado muito, pessoalmente, apesar da proposta diferenciada.


A história do jogo é a seguinte, resumindo bem: o Bazar da cidade de Zephyr era o mais famoso do mundo, mas não é mais, então cabe a você, protagonista, a tentar reerguer o bazar à sua antiga glória. O Bazar é a mecânica principal do jogo (eu gosto de chamar mais de “feira”, confesso. Faz mais sentido à minha realidade.), onde você vende seus produtos uma vez por semana lá, com uma mecânica, um minigame, que você precisa chamar clientes interessados em comprar seus itens ali expostos. 


Esse remake fez um excelente trabalho em melhorar a experiência do jogo original, polindo muitas mecânicas, principalmente a do bazar, para ficar menos maçante, mais interessante e lucrativo. Adições como pulo duplo e paraglider foram muito bem vindas, além de novas áreas para explorar.


Os personagens são algo que precisa ser destacado aqui, pois com o fato que eles agora possuem vozes (não só falas monossilábicas do original), mais as cutscenes 3D com os novos gráficos, os personagens agora possuem mais chances de brilhar, se tornando um dos casts mais interessantes da franquia, isso sem mencionar a adição de novos personagens, que também são legais. Só acho que o pós casamento deixa bastante a desejar.


Além disso, o remake trouxe um pequeno fanservice adicionando personagens antigos da franquia trabalhando no bazar, apesar de que uma boa parte deles são justamente de jogos que eu não joguei, como o “Save The Homeland” de PS2, “Magical Melody” de Game Cube/ Wii, “Hero of Leaf Valley” de PSP e “Pioneers of Olive Town” de Switch/ PC/ PS4.



Rune Factory 4



Lançado originalmente para o Nintendo 3DS em Outubro de 2013, com uma versão melhorada, chamada “Rune Factory 4 Special” lançada em 2020 para Switch, e posteriormente para outras plataformas (PC, PS4 e XBox One). É o título mais querido da franquia


A história começa com o(a) protagonista, a bordo de um dirigível, indo fazer uma entrega para alguém, mas é emboscado por soldados armados e cai em terra firme. Sem memória, o protagonista cai em um lugar chamado Selphia, onde mora a Dragoa Ventuswill, que te confunde com o príncipe que deveria aparecer em breve para ajudar a comandar a cidade. Mesmo com a confusão resolvida, você ainda é encarregado à essa tarefa. Com isso, você ganha um quarto no castelo e um pedaço de terra, onde você pode plantar o que quiser e, com o progredir do jogo, você pode ampliar essas terras e também criar celeiros para criar monstros. 


Claro que a história não se resume a isso, a história vai se seguir conforme você vai explorando a área fora da cidade, derrotando monstros e chefes. A história conta com três arcos, cada um com sua trama.

 

A fama de Rune Factory 4 não é a toa. É um jogo muito gostoso de se jogar. As mecânicas de fazenda são bem gostosas, o combate é legal, o crafting acho satisfatório, e os personagens são extremamente carismáticos, mesmo que muitos caem em arquétipos comuns de animes. Não foi o primeiro Rune Factory que eu joguei, mas foi o que me fez ter certeza que essa franquia foi feita para mim.


Rune Factory 5



Lançado em Março de 2022 para Nintendo Switch e PC, Rune Factory 5 foi o jogo que me introduziu à franquia. Foi um jogo que me foi “dado” (na verdade foi como pagamento de commission) e me apaixonei perdidamente.


Começa como todos os Rune Factory, com o protagonista sem memória chegando em uma cidade nova. Aqui, o protagonista é incentivado a trabalhar para um grupo de guardas-florestais chamados de SEED, onde você ajuda as pessoas da cidade e enfrenta monstros para manter a paz, além de, claro, plantar! Você ganha um pequeno pedacinho de terra para plantar, mas, com o avançar do jogo, você encontra dragões que possuem vastas terras nas suas costas, onde você pode não só plantar, como criar monstros. A história possui dois arcos apenas, marcadas pela mudança na abertura do jogo. 


Quando eu comecei a interagir com mais fãs de Rune Factory, descobri que o quinto jogo foi bastante criticado, e eu não entendia bem as críticas. Claro, esse era meu primeiro jogo, eu não sabia qual era o “padrão” da franquia. E, após ter jogado o 4, e depois recentemente ter revisitado esse jogo, eu entendo. Os controles desse jogo não são muito bons, eu apanho muito no aspecto de fazenda, coisa que não acontecia no 4. O combate parece legal à primeira vista, mas eu sempre tenho a sensação de que eu não acerto os inimigos e eu nunca entendo o motivo. Sem contar que o jogo tem uma performance horrível, coisa que eu pensei “Ah, não era tão ruim, eu jogo pokemon”. O problema é que, rejogando, eu percebo que a performance consegue, sim, ser PIOR QUE POKÉMON SCARLET E VIOLET, e isso é horrível. Falam que o jogo é “feio”, e eu não achava isso, mas revendo eu percebo que ele também não é bonito. Mas eu gosto dos designs dos monstros, até, principalmente o Buffamoo, a monstro que funciona como as vacas desse mundo. Eu acho o design antigo desse monstro horroroso, mas aqui no 5 ele é bem agradável. 


A verdade é que eu não acho esse jogo ruim, afinal, se eu me apaixonei pela franquia começando com esse, então eu acredito que ele tenha sim suas qualidades. Mas depois de ter jogado o 4, eu percebo que esse jogo é inferior em tudo, comparativamente falando. Até os personagens, que acho importantíssimos em jogos desse gênero, não acho que sejam ruins, mas eu ainda prefiro os do 4. A História também é legal mas…. é… ainda prefiro os do 4. Eu passo a entender as frustrações de fãs de longa data da franquia, que esperaram 10 anos por um novo título só para ele ser mediano.




Rune Factory: Guardians of Azuma



Lançado em Junho de 2025 para Switch, Switch 2 e PC, e em Fevereiro de 2026 para PS5 e XBox series, Rune Factory: Guardians of Azuma é, na verdade, como um Spin off de Rune Factory, possuindo mecânicas um pouco diferentes dos Rune Factory tradicionais, mas ainda mantendo algumas tradições. Gosto de comparar como se fosse a série “Legends” de pokémon.


Uma das principais diferenças desse jogo é que ele se passa em uma terra de fantasia fictícia inspirada numa estética tradicional Japonesa, bem como seus monstros tem inspiração em youkais, diferente dos outros títulos que possuíam uma estética mais ocidental, principalmente puxado para o Europeu. 


Aqui, você é um herói escolhido para restaurar a terra de Azuma, que anos atrás sofreu uma calamidade e perdeu suas divindades. Ao enfrentar um dragão negro em cima de seu aliado, a Dragão Branco, você cai na vila da Primavera e, obviamente, perda memória. O chamado da Deusa da primavera faz você seguir com seu objetivo e salvar as divindades de Azuma, que vão te ajudar na sua jornada. O jogo possui 3 arcos, sendo o primeiro praticamente um tutorial do jogo. 


O jogo simplifica bastante muitos dos elementos comuns de Rune Factory. A fazenda, por exemplo, não possui muitas opções de colheita como em jogos anteriores, e muitas vezes você pode passar o jogo inteiro sem plantar uma única semente. As armas também possuem menos variedade que nos anteriores, e você não precisa de muitos materiais para forjar elas ou dar upgrade, mas sim de dinheiro. Aliás, dar upgrade em armas não compensa aqui, normalmente, por ser extremamente caro e você vai encontrar uma melhor logo, logo. Os monstros não te ajudam na plantação como em títulos anteriores, só servindo para drop de itens, além de ter menos opções de monstros aqui. 


A novidade aqui é que, como você é encarregado de restaurar a terra, o jogo vira menos um jogo de fazenda, e mais um “manejamento de cidade”. Você pode customizar as vilas como bem entender, colocando lojas, casas e decorações para atrair novas pessoas para morar lá. Os moradores novos são trabalhadores que você precisa manejar quem vai trabalhar com o quê, podendo escolher entre trabalhar nas plantações, cuidar dos monstros, colher madeira, colher pedras, pescar e, claro, trabalhar nas lojas. E você precisa ficar de olho no seu dinheiro, porque todo dia você precisa pagar esses pelo trabalho desses cidadãos.


Os personagens é um foco importante nesse jogo. São 16 personagens casáveis no jogo (2 sendo DLC paga), talvez um recorde para a franquia. E eu pessoalmente gosto bastante deles, tem bons designs e são carismáticos. As mecânicas de interação deles são um diferencial desse jogo, onde falar com eles te dá opções de ação, como dar presentes, levar eles para sair, levar eles para jantar, etc. Cada ação custa uma quantidade do seu tempo, e alguns personagens tem preferências a certas ações (Por exemplo, alguns, como Cuilang, odeiam que você leve eles para lugares com água.). Com isso, você não precisa sempre estar com um presente pensado para eles todo dia. Além disso, o jogo conta com uma nova mecânica que, ao se casar, você pode desbloquear um modo onde você entra em um “universo paralelo”, onde você pode casar com outro personagem sem precisar criar um save novo, nem desfazer seu casamento anterior. Com isso, você pode, teoricamente, se casar com todos os 16 em um único save. 


O combate também é um foco nesse jogo. Mesmo que tenha menos opções de armas, o jogo possui novas ações, como desviar no tempo certo pode desacelerar o tempo  e te dar vantagem (Tipo como em Zelda BotW e ToTK), bem como ficar mais evidente os elementos das armas e as fraquezas dos chefes.


O jogo também conta com uma árvore de habilidades, para praticamente tudo: Para fortalecer sua habilidade com determinada arma, para diminuir preços nas lojas, aumentar lucro, até para desbloquear ações de interação para os personagens (sendo o beijo uma das últimas) 


Mesmo sendo tudo mais simplificado, o jogo está longe de ser ruim, muito pelo contrário, eu adoro ele. Como eu gosto muito do aspecto de interação de personagens nesses jogos, pra fim foi um deleite jogar esse jogo. Apesar da plantação deixar a desejar, a customização das vilas eu acho bastante satisfatória, apesar de eu querer que tivesse mais opções de decoração. Eu também gostei como os monstros aqui são baseados em youkais, confesso que meu favorito para sempre será as variações de Nekomata. 



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